Diz a enciclopédia que Américo Vespúcio passou por lá já em 1502, e a batizou de Ilha de São Sebastião, por que, claro, era o dia daquele santo padroeiro. Era moda naquela época, aqui em Pindorama, dar nome do santo do dia pros lugares que eles "descobriam" (Depois a moda pegou para humanos, resultando em algumas bizarrices, com pobres bebês inocentes sendo chamados pela vida toda de Ildefonso, Gildásio, Gontrão ou Cornélia.). Era Vila Bela, depois Formosa, e só mesmo em 1945 passou a ser Ilhabela. Todo mundo passou por lá: índios, corsários, portugueses, negros africanos, europeus, maconheiros, barqueiros, mafiosos e estelionatários, menos eu, que só vim a conhecer Ilhabela agora, em janeiro de 2009.
Olha, talvez eu esteja em vantagem por demorar tanto tempo a ir. Apesar do alto verão, não achei tudo tão lotado. Talvez a trabalhosa balsa desencoraje os turistas acidentais, o que ajuda as belezas naturais felizmente estarem bem preservadas. A ilha realmente é bela, selvagem, conservando seu charme agreste.
Claro que eu trouxe o souvenir clássico, ninguém sai de lá ileso: apesar de dizerem que diminuíram muito, as marcas dérmicas dos borrachudos são o carimbo no passaporte. Avermelham, coçam e doem, tatuando na pele algo como "estive em Ilhabela e não pude evitar você". Off, Repelex ou Autan, borrachudos do terceiro milênio adoram qualquer sabor de repelente.
Esperar 507 anos deu algumas vantagens: desfrutar das instalações do modernoso e pretensioso DPNY, apreciar a culinária local, desde o melhor camarão à provençal do mundo no restaurante IlhaSul, as tortas do Free Port Café, ate os sandubas do Borrachudo.
Café gourmet na Vila, sorvete com charme colonial embaixo do lampião e livraria descolada com vista para os barcos ancorados completam o passeio único, com um quê de riviera italiana ou costa francesa. Bom é experimentar de tudo o que há lá. Sem radicalismos, por favor, que não era o caso de ecoturismo. Talvez numa próxima.
Praias de ilha são ótimas, pequenas para poucos exclusivos, calmas viradas para o canal. A gente não esquece a sensação de estar imerso em um mar calmo, quase uma lagoa. Ver a cor do oceano raso, sentir os perfumes da mata atlântica, perceber a brisa com gosto salgado, dar risada e conhecer mundos novos, nunca dantes percorridos, faz a gente se sentir vivo. Bom aproveitar coisas boas com bons amigos. Feliz quem os têm!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
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4 comentários:
Oi Alessandra, realmente a Ilha vista do ponto de vista histórico é romântica e sedutora. Quase nem precisa de muita coisa para se sentir bem lá. Olhar o mar, desfrutar da companhia de bons amigos, comer e beber despretenciosamente, caminhar sem destino e relaxar.è isso que fizemos e precisamos repetir.
Valeu mesmo!
Belo texto excelentes fotos, mas ri muito mesmo dos nomes bizarros dos pobres bebes. IDELFONSO é o nome do meu sogro !!!
Hahahahahaha
Saber transformar uma simples viagem de alguns dias, à poucos kms de distância, à um lugar comum; em uma matéria interessante e curiosa para o leitor, enriquecida de história, com fatos bem humorados, sem dúvida faz parte da arte e do talento do escritor.
Obrigada Alê, Walter pela ótima companhia!!
Bem, depois do Oscar da Literatura , parece que Alessandra está se transformando na Madonna poética dos textos que encantam,,,,,tá parecendo que os pincéis , (minhas ferramentas de trabalho ) na cabecinha iluminada he he da Alê, são as letras que nos envolvem .Parabéns, até parece que a Ilha dos corsários não tem borrachudos......Mas afinal entre borrachudos e o texto da Alessandra, bem, fico com o texto....me faz estar na Ilha sem me coçar !Beijos
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