O pessoal da House Comunicação, agência hype que dá um novo frescor aos conceitos de comunicação, linkou o Pitadas em seu blog. Estão fazendo o novo site da Angélica Pedroso e pegaram uma pitada do Mundo de Angélica para mostrar lá! Obrigada, foi um prazer! Conheça mais da House aqui.
sábado, 31 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Festa dos sentidos em um universo de possibilidades
Você já jantou no meio de uma galeria de arte? Talvez sim. Mas sobre a mesa que o artista usa para pintar? Pode até ser. Mas com um grupo que junta uma extraordinária pintora, um brilhante empresário gourmet, um charmoso e habilidoso coiffeur, um arquiteto simpático e talentoso, um engenheiro inteligente e sensível, um genial museólogo e futuro diplomata, um articulado físico francês do 3o setor, um brilhante comunicador-jornalista-escritor, uma descolada executiva publicitária, um cineasta-agitador cultural hiperativo e uma bióloga editora de livros blogueira... eu duvido.
Aliás, qualquer um duvidaria juntar elementos tão distintos e conseguir algo tão agradável, convergente e maravilhoso. É que nossa anfitriã é especialista nisso. É mestre em colocar juntas cores incomuns e obter um resultado surpreendente, estonteante (não poderia ser diferente, estávamos no mundo de Angélica!). Assim foi nosso jantar, aliás, dos melhores de que já participei!
Aliás, qualquer um duvidaria juntar elementos tão distintos e conseguir algo tão agradável, convergente e maravilhoso. É que nossa anfitriã é especialista nisso. É mestre em colocar juntas cores incomuns e obter um resultado surpreendente, estonteante (não poderia ser diferente, estávamos no mundo de Angélica!). Assim foi nosso jantar, aliás, dos melhores de que já participei!
Festa para os sentidos, com músicas, aromas, sabores, texturas e cores indizíveis (e alguns episódios inusitados...)
Encontros energéticos de corpos brilhantes criam universos de possibilidades. Não vejo a hora de senti-las outra vez!Veja mais sobre o evento no blog do Paulo: http://chezpaulo.blogspot.com/
Mesas
Quando uma mesa se interpõe a dois ou mais seres humanos, coisas interessantes acontecem. O costume de sentar para comer junto certamente é ancestral, deve ter a ver com proteção mútua - caçamos juntos, comemos juntos, e eu de olho em você pra ver se vc não rouba meu pedaço ou come mais. Mas mais civilizados que outros mamíferos, não é só em roda que nos alimentamos, colocamos uma mesa no meio, o alimento bem à vista, e todos nós nos servimos.
Não sei de grandes estudos antropológicos sobre o assunto, mas não há dúvidas que sentar à mesa é um ato de cordialidade, de não-hostilidade, de hospitalidade, de não violência, e, por que não, de afetividade até. Acho que a mesa é uma das coisas que possibilitaram que a civilização se formasse. Sentados somos todos da mesma altura, ninguém intimida ninguém. Sentados relaxamos, descansando as pernas que não têm intenção de fugir. Sentados olhamos para os olhos dos outros, que estão à altura dos nossos, e as mãos à vista de todos não ameaçam ninguém. Ao contrário, partilham. Na proximidade e na distância de uma mesa podemos falar baixo, sermos corteses, atenciosos e pacíficos.
Seja com ou sem alimento sobre ela, ao redor de uma mesa grandes decisões são tomadas, importantes declarações são feitas, segredos são contados, confidências são sussurradas, textos são escritos, nascem grandes amizades, grandes conspirações e revoluções, grandes planos, descobertas e projetos, laços são estreitados, convívios são cultivados, juras de amor são sacramentadas. Sentar à mesa de alguém é uma honra, é o sinal de aceitação, é o que sela as relações humanas. Não é à toa que mesa é altar - lugar de coisas sagradas. Queridos amigos, é muito bom sentar com vocês!
Não sei de grandes estudos antropológicos sobre o assunto, mas não há dúvidas que sentar à mesa é um ato de cordialidade, de não-hostilidade, de hospitalidade, de não violência, e, por que não, de afetividade até. Acho que a mesa é uma das coisas que possibilitaram que a civilização se formasse. Sentados somos todos da mesma altura, ninguém intimida ninguém. Sentados relaxamos, descansando as pernas que não têm intenção de fugir. Sentados olhamos para os olhos dos outros, que estão à altura dos nossos, e as mãos à vista de todos não ameaçam ninguém. Ao contrário, partilham. Na proximidade e na distância de uma mesa podemos falar baixo, sermos corteses, atenciosos e pacíficos.
Seja com ou sem alimento sobre ela, ao redor de uma mesa grandes decisões são tomadas, importantes declarações são feitas, segredos são contados, confidências são sussurradas, textos são escritos, nascem grandes amizades, grandes conspirações e revoluções, grandes planos, descobertas e projetos, laços são estreitados, convívios são cultivados, juras de amor são sacramentadas. Sentar à mesa de alguém é uma honra, é o sinal de aceitação, é o que sela as relações humanas. Não é à toa que mesa é altar - lugar de coisas sagradas. Queridos amigos, é muito bom sentar com vocês!
455 anos de Sampa
São Paulo, 455 anos. O feriado de aniversário da cidade cai no domingo, muito convenientemente, essa cidade não para por qualquer coisa. Uma massa cinzenta no mapa do Brasil, a massa cinzenta que coordena o movimento geral. Apesar de parecer dura, essa cidade não é só cérebro, trabalho, produtividade, dinheiro, negócios; é também coração, afeto, calor humano, família, cultura, entretenimento, lazer, prazer. Não é trivial saber viver em suas entranhas e sentir seu acolhimento maternal. Mas quando o enigma é desvendado, é difícil deixar essa cidade que amamos odiar. Prazerosamente a maldizemos, praguejando por suas pragas urbanas, mas não conseguimos abandoná-la. Muitos anos mais de vida a essa austera senhora, que rejuvenesce a cada dia, modernizando-se tecnologicamente. Tomara que obrigue cada vez mais seus inquilinos a compensar sua rudeza tornando-os mais humanos, sensíveis e generosos.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Meio século para conhecer Ilhabela
Diz a enciclopédia que Américo Vespúcio passou por lá já em 1502, e a batizou de Ilha de São Sebastião, por que, claro, era o dia daquele santo padroeiro. Era moda naquela época, aqui em Pindorama, dar nome do santo do dia pros lugares que eles "descobriam" (Depois a moda pegou para humanos, resultando em algumas bizarrices, com pobres bebês inocentes sendo chamados pela vida toda de Ildefonso, Gildásio, Gontrão ou Cornélia.). Era Vila Bela, depois Formosa, e só mesmo em 1945 passou a ser Ilhabela. Todo mundo passou por lá: índios, corsários, portugueses, negros africanos, europeus, maconheiros, barqueiros, mafiosos e estelionatários, menos eu, que só vim a conhecer Ilhabela agora, em janeiro de 2009.
Olha, talvez eu esteja em vantagem por demorar tanto tempo a ir. Apesar do alto verão, não achei tudo tão lotado. Talvez a trabalhosa balsa desencoraje os turistas acidentais, o que ajuda as belezas naturais felizmente estarem bem preservadas. A ilha realmente é bela, selvagem, conservando seu charme agreste.
Claro que eu trouxe o souvenir clássico, ninguém sai de lá ileso: apesar de dizerem que diminuíram muito, as marcas dérmicas dos borrachudos são o carimbo no passaporte. Avermelham, coçam e doem, tatuando na pele algo como "estive em Ilhabela e não pude evitar você". Off, Repelex ou Autan, borrachudos do terceiro milênio adoram qualquer sabor de repelente.
Esperar 507 anos deu algumas vantagens: desfrutar das instalações do modernoso e pretensioso DPNY, apreciar a culinária local, desde o melhor camarão à provençal do mundo no restaurante IlhaSul, as tortas do Free Port Café, ate os sandubas do Borrachudo.
Café gourmet na Vila, sorvete com charme colonial embaixo do lampião e livraria descolada com vista para os barcos ancorados completam o passeio único, com um quê de riviera italiana ou costa francesa. Bom é experimentar de tudo o que há lá. Sem radicalismos, por favor, que não era o caso de ecoturismo. Talvez numa próxima.
Praias de ilha são ótimas, pequenas para poucos exclusivos, calmas viradas para o canal. A gente não esquece a sensação de estar imerso em um mar calmo, quase uma lagoa. Ver a cor do oceano raso, sentir os perfumes da mata atlântica, perceber a brisa com gosto salgado, dar risada e conhecer mundos novos, nunca dantes percorridos, faz a gente se sentir vivo. Bom aproveitar coisas boas com bons amigos. Feliz quem os têm!
Olha, talvez eu esteja em vantagem por demorar tanto tempo a ir. Apesar do alto verão, não achei tudo tão lotado. Talvez a trabalhosa balsa desencoraje os turistas acidentais, o que ajuda as belezas naturais felizmente estarem bem preservadas. A ilha realmente é bela, selvagem, conservando seu charme agreste.
Claro que eu trouxe o souvenir clássico, ninguém sai de lá ileso: apesar de dizerem que diminuíram muito, as marcas dérmicas dos borrachudos são o carimbo no passaporte. Avermelham, coçam e doem, tatuando na pele algo como "estive em Ilhabela e não pude evitar você". Off, Repelex ou Autan, borrachudos do terceiro milênio adoram qualquer sabor de repelente.
Esperar 507 anos deu algumas vantagens: desfrutar das instalações do modernoso e pretensioso DPNY, apreciar a culinária local, desde o melhor camarão à provençal do mundo no restaurante IlhaSul, as tortas do Free Port Café, ate os sandubas do Borrachudo.
Café gourmet na Vila, sorvete com charme colonial embaixo do lampião e livraria descolada com vista para os barcos ancorados completam o passeio único, com um quê de riviera italiana ou costa francesa. Bom é experimentar de tudo o que há lá. Sem radicalismos, por favor, que não era o caso de ecoturismo. Talvez numa próxima.
Praias de ilha são ótimas, pequenas para poucos exclusivos, calmas viradas para o canal. A gente não esquece a sensação de estar imerso em um mar calmo, quase uma lagoa. Ver a cor do oceano raso, sentir os perfumes da mata atlântica, perceber a brisa com gosto salgado, dar risada e conhecer mundos novos, nunca dantes percorridos, faz a gente se sentir vivo. Bom aproveitar coisas boas com bons amigos. Feliz quem os têm!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
O mundo de Angélica
Pra chegar no mundo de Angélica, vc tem que sair deste mundo. Vc pega uma estrada, anda um pouco, não muito, porque o mundo de Angélica não fica tão longe deste mundo. Mas vc tem que viajar, deixar pra trás tudo de concreto que tem na sua vida todos os dias. Aí vc entra em um caminho que não é asfaltado, nem muito usado, mas dá pra ir por ele. Parece que não vai chegar em nenhum lugar. Mas chega. Ali, o que é natural te pega pelas vísceras. É um jeito de viver simples, solitário, frugal quase, sua pele grudada na pele da mãe-natureza. E quando você entra é um deslumbramento.
Angélica usa os pincéis pra pintar. Mas não só. Ela usa o corpo todo, seus trabalhos são grandes. Mas não só. Ela usa a alma toda, seus trabalhos são grandiosos.
Quando a gente olha as pinturas do mundo de Angélica, a gente conhece o corpo, a mente, as emoções e a psiquê de Angélica. Porque ela põe tudo lá. E não é porque ela põe que ela fica sem. Não. Ela fica maior. Porque a gente fica com a Angélica dentro. E todo mundo quer levar um pouco da Angélica pra si. E por isso compram suas pinturas. E a Angélica vai ficando cada vez maior.
Pensa que ela tem medo de viver lá sozinha? De jeito nenhum! Você é que tem, com suas grades, travas, alarmes e blindagens. Lá tem ar livre, fresco e puro. Pensa que há loucura em viver assim? Longe disso. Loucura é viver com sua mesa quadrada, sua sala cúbica, sua TV retangular e suas travessas idem. Lá tem equilíbrio, prazer e felicidade.
No mundo já há mais de 4 mil pinturas da Angélica. É uma pena. É muito pouco. Todo mundo merecia conhecer o mundo de Angélica. Mas um dia, todo mundo também vai deixar o concreto pra trás, e vai se aventurar por uma estrada meio incerta, e se deixar tocar por esse mundo. E aí, não tem mais jeito. Ninguém fica igual. Quando a gente volta pro nosso mundo, pegando aquela estrada de volta, parece que viveu um sonho.
Quem foi lá pode até esquecer a viagem depois de um tempo. Mas se já esteve lá, terá sido tocado, mexido, importunado, incomodado com a arte corajosa da extraordinária Angélica, que choca porque se expõe de uma maneira explícita, luxuriosamente bela e sublime, que rompe com as convenções e com os jeitos conveniente de ser. Dá vergonha de não fazer igual. Da vontade de mostrar pra todo mundo, de ensinar o caminho pro mundo de Angélica. Quem sabe um dia todo mundo faz como a Angélica, e mostra pro mundo o mundo em que vive feliz.
Pitadas de seu mundo virtual: http://www.angelicapedroso.com/ e http://www.chezpaulo.blogspot.com/
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Boemia off-Vila Madalena
Quem disse que não existe vida boêmia fora da Vila Madalena? Bartho é o bar, e fica mesmo em Perdizes, que não tem só professor universitário, ladeira e palmeirense, mas lugares de primeira. E amigos de primeira: Sandra e Roberto, vamos repetir!!!
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A gente é o que a gente come (pelo menos em São Paulo)
Adentrando o mercado municipal de São Paulo (estou continuando a historinha do post abaixo), que, ao contrário da cidade, estava lotado (descobrimos onde estava todo mundo), a gente vê fartura, exuberância, mistura, composição, crossing-over: tem nacional, importado, estrangeiro, branco, preto, sulista, nordestino, cafuzo, mameluco, loiro, ruivo, moreno, caipira, nativo, turista, pobre, rico, remediado, intelectual, educado, bronco, grosseiro, gentil, curioso e por aí vai. O mercadão tem esse dom: acolhe todo mundo, sem ser taxado de popular ou elitista. E ninguém tem preconceito com ninguém, nem se importa com quem é que vai lá.
Com todos os itens que podem ser encontrados no mercado, acontece a mesma coisa. Tem de tudo. Tem especiarias do Oriente, temperos árabes, azeites espanhóis, portugueses e italianos, frutas do norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste, além de européias, peixes pra cortes japoneses, bacalhau norueguês, doces do interior, massas italianas, molhos, condimentos, queijos de todos os mamíferos, damascos turcos, frutas secas do oriente médio, aves de todas as formas, caças, comida nordestina, grãos internacionais e acepipes intergalácticos. Parece que todo mundo que vive em São Paulo, de todas as nacionalidades, deu sua contribuição pra alguma coisa que se compra no mercadão. É dessa geléia geral que é composta a cidade. O que comemos mostra o que somos. E somos mesmo essa mistura maluca. Não é à toa que a cultura de um povo pode ser conhecida no mercado.
Com todos os itens que podem ser encontrados no mercado, acontece a mesma coisa. Tem de tudo. Tem especiarias do Oriente, temperos árabes, azeites espanhóis, portugueses e italianos, frutas do norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste, além de européias, peixes pra cortes japoneses, bacalhau norueguês, doces do interior, massas italianas, molhos, condimentos, queijos de todos os mamíferos, damascos turcos, frutas secas do oriente médio, aves de todas as formas, caças, comida nordestina, grãos internacionais e acepipes intergalácticos. Parece que todo mundo que vive em São Paulo, de todas as nacionalidades, deu sua contribuição pra alguma coisa que se compra no mercadão. É dessa geléia geral que é composta a cidade. O que comemos mostra o que somos. E somos mesmo essa mistura maluca. Não é à toa que a cultura de um povo pode ser conhecida no mercado.
As cores do mercado são lindas. Não tenho talento fotográfico, mas os olhos enchem para qualquer lado que se olhe. A gente não sabe se olha as cores das frutas ou dos vitrais.
A estética da falta de estética faz tudo ficar caoticamente belo. Quanto mais desarrumado, mais incrivelmente lindo.
Claro que compramos o bacalhau, e dos bons, foi com isso que a brincadeira começou. E também muitas coisinhas mais.
E como não podia deixar de ser, comemos o tradicional pastel de bacalhau do mercadão, enorme, suculento e que valeu pelo almoço. Vai aí?segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Conduzindo em Sampa
E então a gente resolveu que o menu do Reveillon seria Bacalhau a Lagareiro. Bom, então vamos unir o necessário ao divertido e vamos comprar o peixe domingo, dia 28, no mercadão, e fazemos um passeio no centro de São Paulo, já que tudo está calmo e vazio. E não é que o centro de São Paulo é muito lindo?! Recantos de arquitetura europeia, belezas caprichadas feitas em um tempo em que a civilidade do convívio se exprimia até nas roupas formais que se punha para ir "à cidade".
A gente desce a Consolação, e, ao longe, enxerga ângulos de cartão postal que esquecemos de ver enquanto, costumeiramente, mudamos a marcha, desviamos do guarda, xingamos o cara que entrou sem seta e falamos ao celular tudo ao mesmo tempo. Ao fundo, o edifício Ipiranga (antigo hotel Hilton), um pedacinho do edifício Itália, o sinuoso Copan e a igreja da Consolação, na praça Roosevelt.
Ipiranga, São João, Rio Branco e logo lá adiante, depois da triste cracolândia, que degrada ruas e vidas, a estação Prestes Maia, onde está a exuberante Sala São Paulo. Virando, o antigo Doi-Codi, cúmplice de torturas e desmandos, e logo ali, a estação da Luz, que tem o Museu da Língua Portuguesa, um orgulho, vizinho à Pinacoteca, outra vaidade nossa, um colar de diamantes em um pescoço carcomido, que é o meio dessa cidade cabeça-de-cachorro.
Luz, avenida do Estado, Rua da Cantareira e é melhor parar o carro do lado de cá, a gente atravessa a avenida a pé mesmo, olha aí o mercadão.
O imponente projeto de Ramos de Azevedo, de 75 anos, leva o brasão da cidade, que diz: "Non ducor, duco" - "Não sou conduzido, conduzo". Será essa a sina de dirigir na cidade? Será por isso que o transporte público não vinga? Gracinhas à parte, a gente tem esse lema porque se acha mesmo. Mas tem motivo. Não é mole não, véio, trabalhar tanto pra puxar esse trem com as costas.
A gente desce a Consolação, e, ao longe, enxerga ângulos de cartão postal que esquecemos de ver enquanto, costumeiramente, mudamos a marcha, desviamos do guarda, xingamos o cara que entrou sem seta e falamos ao celular tudo ao mesmo tempo. Ao fundo, o edifício Ipiranga (antigo hotel Hilton), um pedacinho do edifício Itália, o sinuoso Copan e a igreja da Consolação, na praça Roosevelt.
Ipiranga, São João, Rio Branco e logo lá adiante, depois da triste cracolândia, que degrada ruas e vidas, a estação Prestes Maia, onde está a exuberante Sala São Paulo. Virando, o antigo Doi-Codi, cúmplice de torturas e desmandos, e logo ali, a estação da Luz, que tem o Museu da Língua Portuguesa, um orgulho, vizinho à Pinacoteca, outra vaidade nossa, um colar de diamantes em um pescoço carcomido, que é o meio dessa cidade cabeça-de-cachorro.
Luz, avenida do Estado, Rua da Cantareira e é melhor parar o carro do lado de cá, a gente atravessa a avenida a pé mesmo, olha aí o mercadão.
O imponente projeto de Ramos de Azevedo, de 75 anos, leva o brasão da cidade, que diz: "Non ducor, duco" - "Não sou conduzido, conduzo". Será essa a sina de dirigir na cidade? Será por isso que o transporte público não vinga? Gracinhas à parte, a gente tem esse lema porque se acha mesmo. Mas tem motivo. Não é mole não, véio, trabalhar tanto pra puxar esse trem com as costas.
O caos somos nozes
Faz muito tempo que eu não passava final de ano em SP. Naquela ânsia de aproveitar, as pessoas saem da loucura da cidade e vão para a praia... e levam a loucura pra lá: estradas lotadas, horas de congestionamento pra descer, padarias e supermercados entupidos, falta de água e infraestrutura, e a briga por um metro quadrado de areia sob o sol. Aquela multidão que faz esta cidade caótica muda de endereço e arrasta o caos consigo.
praia de pitangueiras, guarujá, dezembro de 2008
E o que sobra em SP? Tranquilidade. Ruas vazias. Silêncio. Lugares sem fila. Diversão disponível. Lazer sem sofrimento. Consumo calmo. É aquela desolação pra quem está acostumado com a cidade saturada, mas talvez seja um número de humanos mais próximo do que essa metrópole realmente comporta. "Ah, se fosse sempre assim..." é o que o paulistano que sobrou aqui suspira. É claro que SP só é SP por causa da efervescência humana que por aqui borbulha. E isso tb é "bom". Mas é que há muito tempo eu também não aproveitava o bom de São Paulo, que aparece justamente quando a gente tira aquele bando de pessoas a mais de cima dela.
Dava até pra descer a rua Augusta a 120 por hora!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
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