quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A gente é o que a gente come (pelo menos em São Paulo)

Adentrando o mercado municipal de São Paulo (estou continuando a historinha do post abaixo), que, ao contrário da cidade, estava lotado (descobrimos onde estava todo mundo), a gente vê fartura, exuberância, mistura, composição, crossing-over: tem nacional, importado, estrangeiro, branco, preto, sulista, nordestino, cafuzo, mameluco, loiro, ruivo, moreno, caipira, nativo, turista, pobre, rico, remediado, intelectual, educado, bronco, grosseiro, gentil, curioso e por aí vai. O mercadão tem esse dom: acolhe todo mundo, sem ser taxado de popular ou elitista. E ninguém tem preconceito com ninguém, nem se importa com quem é que vai lá.

Com todos os itens que podem ser encontrados no mercado, acontece a mesma coisa. Tem de tudo. Tem especiarias do Oriente, temperos árabes, azeites espanhóis, portugueses e italianos, frutas do norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste, além de européias, peixes pra cortes japoneses, bacalhau norueguês, doces do interior, massas italianas, molhos, condimentos, queijos de todos os mamíferos, damascos turcos, frutas secas do oriente médio, aves de todas as formas, caças, comida nordestina, grãos internacionais e acepipes intergalácticos. Parece que todo mundo que vive em São Paulo, de todas as nacionalidades, deu sua contribuição pra alguma coisa que se compra no mercadão. É dessa geléia geral que é composta a cidade. O que comemos mostra o que somos. E somos mesmo essa mistura maluca. Não é à toa que a cultura de um povo pode ser conhecida no mercado.

As cores do mercado são lindas. Não tenho talento fotográfico, mas os olhos enchem para qualquer lado que se olhe. A gente não sabe se olha as cores das frutas ou dos vitrais.

A estética da falta de estética faz tudo ficar caoticamente belo. Quanto mais desarrumado, mais incrivelmente lindo.

Claro que compramos o bacalhau, e dos bons, foi com isso que a brincadeira começou. E também muitas coisinhas mais.

E como não podia deixar de ser, comemos o tradicional pastel de bacalhau do mercadão, enorme, suculento e que valeu pelo almoço. Vai aí?

5 comentários:

Alessandra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Guilherme Ruiz disse...

Muito loco esse post do pastel véi!

Walter Ruiz Jr disse...

Deliciosa descrição da nossa pequena aventura !!!

Sandra disse...

Adorei a Matéria do Mercado Municipal, está o máximo!!!! e as fotos estão belíssimas!!!! e ainda fala que não tem talento fotográfico?

Ricardo Victorino disse...

Adorei ! Espero estar junto em uma próxima oportunidade ! Sugiro o mesmo passei no Ceasa ! Também tem essa diversidade !