segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Na companhia de Hemingway, Picasso e dois séculos de tradição

Enquanto eu não me rendo a um i-pod, blackberry ou qualquer outro gadget eletrônico da vez que guarde informações, lá vou eu, na minha peregrinação de final de ano, atrás de uma agenda. Daquelas normais, de papel. E não é que me deparo com um moleskine? Em vez de tecnologia de ponta, comprei mesmo papel e tradição.

Moleskine é pura frescura. Um bloco de notas elevado à última potência do glamour e do charme, dois séculos de erudição da melhor estirpe. Muitos dos intelectuais, escritores, pensadores e artistas plásticos europeus dos séculos XIX e XX andavam com seus blocos de anotações, entre eles Van Gogh, Picasso, André Breton, Matisse, Hemingway e Chatwin, fazendo muitas imagens, idéias e textos morarem em suas páginas antes de se tornar obras famosas. Até o professor Henry Jones usava um no filme Indiana Jones e a Última Cruzada!

Esses blocos de notas eram vendidos em lojinhas parisienses freqüentadas por artistas e escritores de vanguarda. Na década de 1980, entretanto, eles sumiram do mercado. Bruce Chatwin menciona em seu livro “The Songlines” sobre seu fabricante preferido de moleskines. Em 1986, a papelaria que fornecia os moleskines ao escritor, na Rue de l´Ancienne Comédie, em Paris, informou que o fabricante, uma pequena empresa familiar de Tours, fecharia para sempre suas portas, pois seu proprietário morrera.

Em 1998, um editor de Milão, na Itália, ressuscitou o renomado livro de anotações, sob a marca (registrada em 1996) Moleskine SRL, renovando e restaurando a tradição, com toda a reverência merecida. Preservou os detalhes e a qualidade originais: com formato de bolso, tem páginas com cantos arredondados, e sua lombada é costurada permitindo que o caderno permaneça chato (a 180 graus) enquanto aberto. Sua capa mais rígida é feita de cartão impermeável, e tem uma tira de elástico para mantê-la fechada (ou aberta em determinada página). Pode vir em diversos formatos: pautado, liso (para desenhos e esboços), quadriculado, com agenda, diário, e até como City Notebooks, guias de informações sobre as maiores cidades do mundo, com espaço para personalizações e anotações.

Charme dos charmes, a folha de rosto vem impressa para que seu proprietário possa escrever seus dados pessoais, assim como estipular um valor de recompensa caso alguém encontre o moleskine perdido! Muito mais que páginas em branco encadernadas, seu valor é mesmo poder se tornar um reservatório de idéias e sentimentos, um repositório de descobertas e percepções únicas e originais – o útero que gestará, talvez, futuras obras-primas.

Não precisei (infelizmente) ir até Paris ou Milão para adquirir o meu. Comprei mesmo na nova Livraria Cultura de São Paulo, no shopping Bourbon. Apesar de caro para o que de fato é em seu valor relativo, optei por adquiri-lo seduzida por seu charme, e talvez pelo comprometimento subliminar de transformar os eventos e fatos anotados nesse novo ano em coisas de valor. Será? Enquanto finjo ter alguma coisa em comum com Hemingway e Picasso, vou mesmo marcando meus compromissos, lembretes e reuniões... e, quem sabe, com essa companhia toda, não rompo com a minha tradição e consigo escrever algo que preste? Pelo menos, vou poder escrever um bom valor lá, naquele espaço das recompensas!

Um comentário:

Carol R. disse...

Oi mãe!! So sua fã e ameeei o blog!!!

Talvez dpois disse eu Até pessa ou compre um pra mim!!

Sua filha querida, carol